domingo, 19 de agosto de 2007

DO CONTRA

Acho que vou comprar uma briga com 7/8 dos piauienses que leram/assistiram/ficaram sabendo pelo vizinho que o presidente da Philips para a América Latina, Paulo Zottolo, afirmou que “se o Piauí acabar, ninguém vai sentir falta”. É inegável que suas declarações (feitas na quinta-feira, 16, ao jornal Valor Econômico - www.valoronline.com.br) foram (sendo eu muito gente boa com ele) infelizes, mas não acho que há motivo para tanto alarde, disse-que-disse, boicote à Philips, encomenda de vodu da mãe do cara...
O tal do Zottolo não me deu nem um centavo para defendê-lo...aliás, não se trata mesmo de uma defesa... eu só acho que está havendo uma supervalorização da besteira que ele falou. A grande estupidez dele foi ter aberto a boca para fazer uma analogia inconsistente sobre o caos brasileiro e a miserabilidade de um estado. E quando digo “de um estado”, refiro-me ao fato de acreditar que ele citou o nome do Piauí por citar. Zottolo poderia ter dito Maranhão, Alagoas ou Acre, que para ele não faria diferença.
Mas ele disse, textualmente, PIAUÍ. E, dessa forma, é mais que natural a reação dos piauienses. Maranhenses, alagoanos e acreanos não têm nada a ver com isso (?). Que o assunto corresse dos meios de comunicação para as discussões em bares, jantares de família, chats na internet, bancos de praça, também era de se esperar. Mas, já rendeu, né? O cara já pediu desculpas, já tentou reverter o que é tecnicamente irreversível, já prometeu até visitar o estado (o que para mim é uma burrice ainda maior)...
Não se trata de conformismo. Não falo em enterrar o assunto e deixar que continuem debochando do Piauí. Falo em termos essa honra piauiense transformada em ações concretas em prol do crescimento do estado. Por exemplo, ao invés de deixar de comprar uma TV “carérrima” da Philips para comprar uma da LG, Samsung ou qualquer outra marca, a galera que tem grana poderia bancar os estudos da filha da empregada (que é interessada, quer ser médica, mas não tem uma boa educação) em um colégio de qualidade (em Teresina, mensalidade de escola boa pode sair por volta dos R$ 400,00). Ou mesmo coisas mais simples... sei lá, ensinar seu filho a fazer coleta seletiva do lixo (famílias três vezes maiores que a sua podem melhorar de vida com isso).
Não basta querer que “as pessoas” (especialmente do Sudeste, onde não há pobreza, gente pedindo esmola, analfabeto... que lorota!) abandonem esse preconceito de que o Piauí é paupérrimo, de que os piauienses não sabem conjugar verbos corretamente ou de que prédio de quatro andares aqui é atração turística. É preciso contribuir com o desenvolvimento do estado. Se não fizer isso pelo coletivo ou pelas futuras gerações, faça por você, faça para facilitar a sua vida e lhe livrar de ter de discutir veementemente as declarações descabidas de mais um(uns) Zottolo(s) sobre o Piauí.
Em tempo: a Philips mantém respeitados projetos sociais no Piauí; muitos deles, na área da educação.

3 comentários:

Carlos Rocha disse...

Achava que só eu pensava assim. É isso aí Vanessa. É preciso parar de ficar só se martirizando a fazer algo de prático.

Morrer [de Rir] ... disse...

comigo vc não tem que se preocupar, concordo plenamente (sem motivos extra-profissionais). Não é possível que o comentário de uma pessoa se torne referência para uma empresa que vem fazendo tanta coisa boa pelo nosso estado. =**

Amanda disse...

o cara é um facista, e não há retratação que poderá corrigí-lo agora. Com certeza ele terá de ser demitido da Philips. Acho que toda essa comoção é extremamente positiva, pode trazer uma nova consciência para o Piauí. Estou otimista!