quinta-feira, 12 de abril de 2007

O play x o otário

Outro dia, ouvi um amigo “metido a play” falar sobre seus novos colegas do curso de Bacharelado em Física (que, diga-se, ele está cursando apenas por “gosto”): “esses caras ficam me olhando de cima a baixo, reparando na marca dos meus tênis, da minha calça, da minha camiseta, no meu carro. Pensei: ‘eu lá tenho culpa se minha mãe estudou mais que a tua, otário’”.

Talvez a mãe do otário não tenha tido oportunidade de estudar (apesar de ter muita vontade) porque nasceu em um vilarejo do interior, onde não existe sequer água tratada; talvez a mãe do otário tenha perdido os pais muito cedo e isso a tenha feito largar os estudos para cuidar dos cinco irmãos mais novos; ou talvez ainda a mãe do otário não tenha sequer conseguido aprender a escrever seu nome em um curso do tipo Mobral. Mas o otário quer ser gente. Está na universidade e quer seguir carreira acadêmica, ser professor universitário. Quer ensinar pessoas como ele, que pegam quatro ônibus por dia para assistir às aulas, que andam com o dinheiro da xérox e do almoço no RU contados. O otário quer ensinar também gente como meu amigo “metido a play”, mostrando que ele não tem culpa de quanto sua mãe estudou, mas que não é isso que mede o valor de ninguém.

Hoje resolvi falar sério. Não que tudo o que eu tenha escrito nesse blog até hoje tenha sido besteira...acontece que, falar em educação, especialmente quando isso implica questões sociais, é algo que me incomoda muito (torna-se até sofrível, meio piegas - assumo). Não entra na minha cabeça o fato de educação não ser vista como prioridade no Brasil. Há muitas questões político-econômicas envolvidas nisso? Claro! Não sou ingênua a ponto de pensar o contrário. Mas...será que não se pode fazer nada a não ser esperar a boa vontade de quem veste paletó e bate-ponto naqueles prédios grandes e bonitos de Brasília uma vez por semana? Nesse país até o milésimo gol do Romário (que não tem curso superior, mas tem uma fortuna de dar inveja em muita gente que se matou de estudar a vida toda) parece ser mais importante que o Lindovaldson da Silva Costa, 9 anos, que está fora da escola e passa o dia no farol com seus coleguinhas vendendo frutas, castanha, água de coco e que mais der certo.

No país das contradições, que elege Paulo Maluf, Collor de Melo, Clodovil Hernandez, ACM Neto e tantas outras (fajutas) jóias raras do mesmo quilate, as coisas realmente não fazem sentido para quem tenta procurar uma saída.
Bjins...

Um comentário:

Morrer [de Rir] ... disse...

nossa.. falou tão sério hoje.. e, que amigo é esse?? bjusss