terça-feira, 5 de junho de 2007

The kite runner


Disse Amir sobre Hassan: “esse é o problema das pessoas sinceras: elas pensam que todo mundo também é”.

Eu não gosto muito de ler best-sellers. Geralmente, sou tentada a não vê-los com bons olhos. Enquanto a maioria das pessoas começa a lê-los com uma certa simpatia, inicio minha incursão literária com desconfiança. O tal campeão de vendas tem de ser mais que uma boa história narrada por um bom texto para me fisgar (algo que já seria suficiente, caso se tratasse de um livro ‘comum’).

Estou lendo ‘O caçador de pipas’ (meio ‘devagar quase parando’ – reconheço – mas acredito que já posso dar minha opinião sobre ele) e trata-se de um belíssimo livro afegão, com uma história que reúne emoção, crítica social e pinceladas de geopolítica. Mas não foi o livro em si que me levou a escrever esse post. E sim uma frase em especial que chamou minha atenção: “esse é o problema das pessoas sinceras: elas pensam que todo mundo também é”. As palavras são de Amir, menino rico que goza de regalias sociais, sobre Hassan, menino Hazara (uma tribo marginalizada do Afeganistão), mescla de empregado da família e de melhor amigo não reconhecido de Amir.

Acreditar que os outros são como nós não é apenas mérito das pessoas sinceras. Em geral, projetamos nas pessoas aquilo que somos, porque é aquilo que para nós faz sentido. A não ser que se conheça alguém suficientemente bem, não se espera dele algo que não a concordância com o nosso modo de ver as coisas e de agir. Pessoas sinceras são, comumente, tidas como ingênuas porque acham que os outros estão sempre agindo com verdade; assim como pessoas dissimuladas tendem a ser desconfiadas por acreditarem que a qualquer momento podem ser passadas para trás por quem quer que seja.

Enquanto nos culparmos por isso, o fardo do etnocentrismo será ainda mais pesado. Outro dia meu pai me disse: “não queira ser aquilo que você não é apenas porque as pessoas não lhe retribuem proporcionalmente à sua doação a elas. Isso é besteira. Mas não se culpe por isso. Não se obrigue a ver maldade em tudo”. Naquele momento não consegui entender a lógica do conselho de meu pai, mas agora compreendo... ainda bem que não sou do lote das pessoas maldosas. Espero apenas não ter o mesmo fim dado a Hassan.
Bjo p vcs!

2 comentários:

dalyne disse...

aeeeeeeeeeee
até que enfim!
santo cassador de kites, ou, de pipas...

Morrer [de Rir] ... disse...

Van, este livro é tão profundo e tão bom... Ganhei ele por acaso, quando ainda nem era bestseller e não consegui parar de ler. Virei fã do Hassan e da simplicidade dele. Mas sabe de quem eu mais gostei? Do pai dele, que amava o filho, o patrão, a podre da esposa, amava o mundo... e em troca ganhava umas poucas migalhas de felicidade. Muito lindo... e acho que, no final das contas, ser sincero deixa você dormir a noite, mesmo que seja alimentado por umas migalhas de felicidade. =P bjus amiga pipira!